terça-feira, 3 de novembro de 2009

Inodoro


Muito provavelmente, não haverá melhor definição do que a de uma flor -
com imagem incluída e tudo - acerca do percurso da vida de cada um de nós.
E podemos começar pelo regar ou não regar, pelo adubar ou não adubar,
pelo "ensolarar" ou não "ensolarar", pelo aparar ou não aparar, ou, em resumo,
pelo brotar ou murchar.
Obviamente que, tal como as pessoas, poderemos ser rosas ou espinhos,
cravos ou ervas daninhas, tudo depende das sementes, e do que o tal percurso nos
faz "investir" num jardim ou num deserto.
E é neste constante plantar e "replantar" que podemos também avaliar o
verdadeiro valor das nossas raízes, da forma como a sua presença nos segura - ou
não - a esta terra de flores mil, a este despertar com mais ou menos sentido,
também em função da beleza, tantas vezes aparente, outras tantas presente.
Com estas palavras, logicamente, somos impelidos a associar-nos
imediatamente à flor que mais nos agrada, ou, dependendo do estado de espírito,
àquela que melhor nos define neste momento, mas sempre com a certeza de que, tal
como a própria flor, também temos os nossos dias, os nossos momentos, os nossos
murchares, entre o pólen e o perfume, inclusive o inodoro.

Francisco Moreira

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